A autoestrada Botafogo-Lagoa foi cogitada na década 60 como parte do complexo viário para a ligação com a zona sul e oeste.

As imagens que ilustram este post são do livro Rio 70 e mostram as simulações da autoestrada em três trechos. Na primeira, o acesso às galerias de túneis por Botafogo, na Avenida Lauro Sodré. Na segunda imagem, a autoestrada ressurge, entre o Morro São João e dos Cabritos sobre o Túnel Alaor Prata, em Copacabana e na terceira imagem, a conexão com o complexo viário da Lagoa.

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A retomada de um projeto como este estaria fora de cogitação, tendo em vista a situação fiscal e a tendência atual das intervenções urbanísticas em matéria de mobilidade urbana. No entanto, se observarmos a situação dos bairros de Botafogo e Humaitá, atualmente, com inúmeros desafios para a implantação de uma satisfatória infraestrutura para a mobilidade ativa, cabe uma análise se este projeto não poderia ter aliviado a importância que exerce atualmente no sistema viário da cidade as ruas São Clemente e Voluntários da Pátria para a conexão do Aterro e do Túnel Santa Bárbara com a Rua Jardim Botânico e Borges de Medeiros.

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Até mesmo o fluxo inverso, ou seja, o tráfego da autoestrada Lagoa-Barra, sentido zona sul, porque sentido centro e zona norte, tem a opção do Túnel Rebouças que evita a travessia por Botafogo.

O dia a dia do pedestre e do ciclista pelas ruas de Botafogo e do Humaitá é um martírio. Calçadas estreitas e repletas de obstáculos e ciclofaixas quase inexistentes transformam uma região que poderia ser um modelo de bairro compacto, onde se poderia realizar quase todas as atividades diárias se deslocando a pé ou de bicicleta, num desafio pois o risco de quedas em calçadas, atropelamentos e acidentes é constante.

Ao definir a baixada de Jacarepaguá como um dos vetores de crescimento da cidade, este complexo viário incompleto vem provocando há anos muitos transtornos aos bairros que sempre estiveram nesta rota “incompleta”.

A acessibilidade incompleta para a Zona Oeste, não fica restrita apenas a opção rodoviarista do passado, mas também em relação ao sistema de transportes públicos cabendo mencionar o traçado adotado pela Linha 4 do metrô.

Foram inúmeros os movimentos da sociedade civil que defenderam o traçado original, e com razão. O projeto original abrange a Gávea, Jardim Botânico, Humaitá com conexões para as estações da Carioca e Botafogo.

Mais uma vez, a meu ver, optaram por pular etapas e deixar o sistema ainda incompleto.

Não restam dúvidas de que todos os investimentos em transportes sobre trilhos são úteis numa metrópole, mas é preciso respeitar o planejamento para gastar bem os recursos públicos. Hoje, Botafogo e Humaitá formam um gargalo tanto para o modelo rodoviarista, incentivado no passado, quando para o sistema metroviário.

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Publicado no Diário do Rio de Janeiro em 11 de outubro de 2017.